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Cultura

Comunidade de Itaipu se une contra privatização de museus

Ação Direta de Inconstitucionalidade e moção de repúdio na Câmara Municipal estão entre ações para proteger o patrimônio histórico

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Sociedade civil organizada se reuniu no Museu de Itaipu na quinta-feira (21). Foto: Thiago Freitas
Sociedade civil organizada se reuniu no Museu de Itaipu na quinta-feira (21). Foto: Thiago Freitas

“A ideia é constranger!”. Essa foi a palavra de ordem na reunião que aconteceu na noite desta quinta-feira (20) e lotou o pátio do Museu de Arqueologia de Itaipu (MAI) com membros da sociedade civil. A articulação política na luta contra a iminente privatização dos museus terá a população como protagonista. O objetivo é formar uma militância com diversas frentes de ação. Entre elas, está a busca de apoio dentro do parlamento, trazendo à tona nomes que vão se posicionar contra a regulamentação da medida provisória 850/18, que transforma o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em agência reguladora, para, então, entregar a administração dos museus à iniciativa privada como nos moldes já conhecidos em siglas como ANTT, Anac, ANP entre outras.

É um consenso de que a comunidade que orbita o MAI é contra a privatização. Entre as medidas decididas no plenário popular, estão: ocupação cultural do Museu de Itaipu; Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) (manobra jurídica semelhante à do Sebrae contra a MP850, que recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), quando a medida foi proposta, em 11 de setembro).

O coletivo que se formou também se comprometeu em mobilizar a Câmara dos Vereadores de Niterói para uma moção de repúdio contra essa medida do governo federal. Manifestações diversas nos próximos eventos a serem realizados no MAI também estão previstas, como no Acesse Itaipu, neste sábado (22), e as ações da Primavera de Museus, em 29 de setembro e 6 de outubro.

— Em Itaipu já sofremos muito com o assédio financeiro que desarticula muitas vezes a luta popular. Aqui, todos (nós) estamos de acordo de que privatizar a nossa história é algo inaceitável — disse Jairo Augusto da Silva, pescador artesanal de Itaipu.

Para ser regulamentada, a medida apresentada pela Presidência da República precisa passar por votação no Congresso Nacional e a primeira etapa acontece no dia 25 de outubro, quando entrará em discussão a aprovação do caráter de urgência que, de acordo com o governo, se faz necessária por conta da tragédia do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, que teve considerável parte do seu acervo destruído por incêndio de grandes proporções no dia 2 de setembro.

— O posicionamento do museu enquanto instituição fica engessado, mas com o povo protagonizando essa luta temos muito mais chances de barrar essa medida provisória — acredita Mirela Leite, museóloga do MAI.

Jornalista, cozinheiro, ciclista e viajante inveterado traz na bagagem a Região dos Lagos e passagens por A Tribuna e O Globo. Aos 28 anos, está prestes a completar a primeira década no jornalismo. Retrata a mobilidade e segurança pública sob uma nova perspectiva.

Folha Digital

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