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pistas do BHLS vêm sendo reinventadas por ciclistas que a utilizam para locomoção cotidiana na RO. Foto: Thiago Freitas / AFI pistas do BHLS vêm sendo reinventadas por ciclistas que a utilizam para locomoção cotidiana na RO. Foto: Thiago Freitas / AFI

Mobilidade

Ciclovia dos sonhos

Enquanto o ônibus não vem… Bicicletas ditam tendência de mobilidade na Região Oceânica.

pistas do BHLS vêm sendo reinventadas por ciclistas que a utilizam para locomoção cotidiana na RO. Fotos: Thiago Freitas / AFI

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O desinteresse de concessionárias do transporte público para o uso efetivo da canaleta do BHLS (sigla em inglês para ônibus de serviço de alto nível) abriu espaço para a realização de um sonho latente: uma ciclovia que ligasse a Região Oceânica ao primeiro distrito. Inaugurada há mais de um ano, ela alimenta a descrença da população de que um dia os prometidos ônibus vão circular por ali. Enquanto isso, o “BRT” como costuma ser tratado – em referência ao modelo de ônibus de trânsito rápido usado na cidade do Rio de Janeiro – é usado mesmo como ciclovia, mas também por carros e motos, expondo ciclistas aos riscos dos quais eles tentam fugir utilizando a pista segregada.
– Tenho 18 anos de Região Oceânica, já sei como as coisas funcionam e sei que isso (o BHLS) não vai dar em nada. Tem que virar logo ciclovia de vez – sentencia o garçom Francisco Alves, 33 anos, que usa diariamente a pista em sua mobilidade.

Para Francisco Alves, morador da região há 18 anos, "BRT não vai dar em nada".

Para Francisco Alves, morador da região há 18 anos, “BRT não vai dar em nada”.

Aparentemente ideal, muitas vezes o que se vê são veículos automotores utilizando a faixa dedicada ao BHLS para escapar dos congestionamentos da via de rolamento tradicional. Giliandro Medeiros, autônomo, 35 anos, conta que já foi até atingido por um carro:
– Já quase fui atropelado quatro vezes! Os carros não respeitam. Uma das vezes fui atingido e machuquei a mão. Se fosse, de fato, uma ciclovia, acredito que isso não aconteceria.

Contraste entre fluxos de mobilidade.

Contraste entre fluxos de mobilidade.

Baixo investimento e com impactos positivos

Pesquisador em Direito Difuso – ramo do direito que abrange o “direito à cidade” – da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernando Barcellos acredita que a viabilidade é bem mais próxima da realidade do que a licitação do BHLS. Para ele, a solução é simples e pode fornecer, ainda, dados reveladores para a cidade.
– Já está tudo pronto, é uma questão de fazer a sinalização adequada e pode servir, ainda, de laboratório de mobilidade, para conhecer mais a fundo o perfil do ciclismo em Niterói. Cabe lembrar que mais de 60% das vezes que alguém sai de bicicleta é para fazer compras – disse.

Até pedestres sofrem com falta de espaço em calçadas após construção das pistas do BHLS

Até pedestres sofrem com falta de espaço em calçadas após construção das pistas do BHLS

Ciclistas preparam pedalaço com movimento #ocupaBRT

Priscila Sales, do movimento Pedal Sonoro. Coletivo articula pedalaço na região e criação da campanha #ocupaBRT.

Se a ressignificação da canaleta do BHLS no cotidiano não é o suficiente, os ciclistas da Região Oceânica parecem estar dispostos a falar mais alto para serem ouvidos. Grupos de pedal da RO já articulam o movimento que pretendem chamar de #OcupaBRT, para mostrar que, mais do que uma alternativa, a ciclovia é uma necessidade.
– A gente tem muito potencial aqui. Eu mesma amo pedalar, mas confesso que uso menos do que gostaria, pois não me sinto segura – conta Priscila Sales, que participa do grupo niteroiense Pedal Sonoro.
A segurança no trânsito é um problema para 43,7% dos ciclistas de Niterói, segundo dados da ONG Transporte Ativo. A pesquisa realizada entre setembro de 2017 e abril de 2018 revela que 57% dos ciclistas veem na infraestrutura uma motivação para pedalar mais. Ao mesmo tempo, 43,7% acredita justamente que ela é um problema no dia a dia.

Jornalista, cozinheiro, ciclista e viajante inveterado traz na bagagem a Região dos Lagos e passagens por A Tribuna e O Globo. Aos 28 anos, está prestes a completar a primeira década no jornalismo. Retrata a mobilidade e segurança pública sob uma nova perspectiva.

1 Comentário

1 Comment

  1. Rafael

    9 de outubro de 2018 at 21:47

    Se forem se organizar para pedir o nosso espaço nas ruas, eu to dentro com toda certeza, é so marcar o dia !!! desde que nao seja um movimento político !!!

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