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Cultura

Acervo arqueológico de Itaipu pode estar entre os tesouros destruídos no Museu Nacional

Ossada de mais de 12 mil anos pode ser mais antiga que o crânio de Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas

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Remanescentes encontrados no Sambaqui Camboinhas. Foto: Divulgação.
Remanescentes encontrados no Sambaqui Camboinhas. Foto: Divulgação.

Um tesouro arqueológico de mais de 12 mil anos encontrado no Sítio Arqueológico Duna Grande pode estar entre o acervo atingido pelo incêndio no Museu Nacional, no Rio. Trata-se de remanescentes humanos — um homem com uma criança no colo e mais outras três crianças — que foram achados, em 2010, por um morador de Itaipu.

A diretora do Museu de Arqueologia de Itaipu (MAI), Eunice Batista Laroque, disse que essas ossadas serão prioridades dos pesquisadores logo assim que terminar o trabalho do Corpo de Bombeiros no local da tragédia, ocorrida no último domingo (2). O Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, foi destruído por um incêndio de grandes proporções. Ele é a mais antiga instituição científica do país, guardando em seu acervo mais de 20 milhões de itens.

Durante encontro com o presidente da Neltur, José Guilherme de Azevedo, na quarta-feira (5), Eunice falou sobre a importância deste acervo de Niterói que estava no Museu Nacional e que pode ter sido totalmente destruído. Na reunião, foram tratadas estratégias de integração entre as secretarias municipais para fomentar este atrativo turístico da cidade, que a exemplo de outros museus do país necessita de reformas estruturais.

 

Achado pode reescrever história, sendo mais antigo que Luzia

No ano de 2010, um morador de Itaipu passeava pela Duna Grande quando percebeu que seu cachorro farejou algo estranho nas areias. Após análises, constatou-se que se tratavam de um homem com uma criança no colo e outras três.

— São remanescentes humanos acima de 12 mil anos, que têm uma importância imensurável para o patrimônio arqueológico mundial, superando até mesmo o crânio de Luzia, que é considerado o fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas e que estava também no Museu Nacional — ressalta Eunice.

A diretora do MAI disse que não sabe ainda o que restou deste precioso acervo e que é preciso aguardar o período do rescaldo, a consolidação das paredes e colocação dos contêineres, para então montar uma força-tarefa, contando, inclusive, com funcionários ligados à Unesco para realização de um novo trabalho arqueológico no Museu Nacional.

— Só depois disso, saberemos como ficou este material. Acredito que tenhamos material digital para fazer as réplicas, mas ainda não garanto nada, antes da realização desse nosso trabalho — esclareceu.

 

Apesar da importância, MAI ainda necessita de investimento e funciona sem Certificado de Segurança Contra Incêndio

Para Eunice, o Sítio Arqueológico de Itaipu é considerado o mais importante do Brasil.

— Temos que criar em Itaipu um grande centro de referência arqueológica, ampliando o Museu de Arqueologia para atrair pesquisadores e turistas, a exemplo de grandes centros arqueológicos mundiais — defende.

Diretora do MAI, Eunice destaca importância do acervo de Niterói que estava no Museu Nacional. Foto: Divulgação

Diretora do MAI, Eunice destaca importância do acervo de Niterói que estava no Museu Nacional. Foto: Divulgação

Atualmente, o MAI recebe hoje cerca de 15 mil visitantes e turistas mensalmente, entre eles, muitos grupos de estudantes, turistas europeus e até do Japão. No entanto, a instituição enfrenta problemas de adequação às normas de segurança. Isso porque o Corpo de Bombeiros não pode liberar o Certificado de Segurança contra Incêndios uma vez que o museu não tem a titularidade do terreno.

A expectativa da diretora é aumentar significativamente o número de visitas tão logo seja concluído o projeto de reurbanização da área do entorno do MAI. “Estou captando forças junto à Prefeitura de Niterói e outras instituições para concluir este projeto”, declarou a diretora, que está à frente do MAI desde 2015.

— Precisamos mostrar ao país que remanescentes humanos viveram na Duna Pequena, no Sambaqui Camboinhas, e na Duna Grande, logo, viveram aqui em Niterói há milênios! — conclui Eunice.

Com informações de O Fluminense

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