Connect with us

Cultura

Acervo arqueológico de Itaipu pode estar entre os tesouros destruídos no Museu Nacional

Ossada de mais de 12 mil anos pode ser mais antiga que o crânio de Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas

Publicado há

no dia

Remanescentes encontrados no Sambaqui Camboinhas. Foto: Divulgação.
Remanescentes encontrados no Sambaqui Duna Grande. Foto: Divulgação.

Um tesouro arqueológico possivelmente datado de mais de 12 mil anos encontrado no Sítio Arqueológico Sambaqui Duna Grande pode estar entre o acervo destruído pelo incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Trata-se de remanescentes humanos — um homem com uma criança no colo e mais outras três crianças — que foram achados, em 2010, por um morador de Itaipu.

A diretora do Museu de Arqueologia de Itaipu (MAI), Eunice Batista Laroque, disse que essas ossadas serão prioridades dos pesquisadores logo assim que terminar o trabalho do Corpo de Bombeiros no local da tragédia, ocorrida no último domingo (2). O Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, foi destruído por um incêndio de grandes proporções. Ele é a mais antiga instituição científica do país, guardando em seu acervo mais de 20 milhões de itens.

Segundo Eunice, a real importância deste acervo de Niterói que se encontra no Museu Nacional está sendo estudada desde que foi encontrada. Os pesquisadores que estão à frente do trabalho de datação e análise das ossadas, no entanto, estimam que elas podem ser tão importantes e reveladoras para a história da humanidade quanto o crânio de Luzia, considerado o fóssil humano mas antigo já encontrado nas Américas, o qual estava na área atingida pelas chamas.

– Ainda estamos todos tomados pelo choque da tragédia. É um momento delicado para falar sobre essas pesquisas, até porque a comprovação dessas teses demandam grandes investimento. O exame para um certificado preciso de datação, por exemplo, é feito em Londres, na Inglaterra. Isso dá uma ideia do quanto são trabalhosas e caras as pesquisas científicas de tudo aquilo que os museus enquanto instituições públicas guardam como patrimônios da história – ressaltou a diretora do MAI em entrevista à Folha.

História de um achado histórico

No ano de 2010, um morador de Itaipu passeava pela Duna Grande quando percebeu que seu cachorro havia farejado algo estranho nas areias. Por saber da existência de um sambaqui na localidade, imediatamente procurou o Museu de Arqueologia de Itaipu, fundado no fim da década de 1970. Após análises, constatou-se que se tratavam de um homem com uma criança no colo e outras três.

A diretora do MAI disse que não sabe ainda o que restou deste precioso acervo e que é preciso aguardar o período do rescaldo, a consolidação das paredes e colocação dos contêineres, para então montar uma força-tarefa, contando, inclusive, com funcionários ligados à Unesco para realização de um novo trabalho arqueológico no Museu Nacional.

— Só depois disso, saberemos como ficou este material. Acredito que tenhamos material digital para fazer as réplicas, mas ainda não garanto nada, antes da realização desse nosso trabalho — esclareceu.

Apesar da importância, MAI ainda necessita de investimento e funciona sem Certificado de Segurança Contra Incêndio

Para Eunice, o Sítio Arqueológico de Itaipu é considerado o mais importante do Brasil.

— Temos que criar em Itaipu um grande centro de referência arqueológica, ampliando o Museu de Arqueologia para atrair pesquisadores e turistas, a exemplo de grandes centros arqueológicos mundiais — defende.

Diretora do MAI, Eunice destaca importância do acervo de Niterói que estava no Museu Nacional. Foto: Divulgação

Diretora do MAI, Eunice destaca importância do acervo de Niterói que está no Museu Nacional. Foto: Divulgação

O MAI recebe atualmente cerca de 15 mil visitantes e turistas mensalmente, entre eles, muitos grupos de estudantes, turistas europeus e até do Japão. No entanto, a instituição enfrenta problemas de adequação às normas de segurança. Isso porque o Corpo de Bombeiros não pode liberar o Certificado de Segurança contra Incêndios uma vez que o museu não tem a titularidade do terreno.

A expectativa da diretora é aumentar significativamente o número de visitas tão logo seja concluído o projeto de reurbanização da área do entorno do MAI. “Estou captando forças junto à Prefeitura de Niterói e outras instituições para concluir este projeto”, declarou a diretora, que está à frente do MAI desde 2015.

— Precisamos mostrar ao país que remanescentes humanos viveram na Duna Pequena, no Sambaqui Camboinhas, e na Duna Grande, logo, viveram aqui em Niterói há milênios! — conclui Eunice.

Com informações de O Fluminense

Folha Digital

Advertisement
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Mais lidas